sábado, 7 de novembro de 2009

Das luas que já se passaram...


Contar uma história de amor pode ser muito prosaico, dependendo da abordagem; por isso vou contar de modo diferente...
Não há como fugir do trivial, já que também é verdade, então, direi o que não é um segredo: é muito mais difícil conviver com quem é diferente da gente, mas é isso que deixa tudo mais desafiador e interessante, é o que acrescenta coisas valorosas em nossas vidas.
Dele, de todos os seus adjetivos, meus preferidos são a perspicácia e a tranqüilidade, coisas que fazem muita falta no meu ser.
Todavia, resolvi contar o que até então, era totalmente confidencial: tem algumas coisas que me deixam “fula da vida”, entretanto – agora vem a surpresa – eu não mudaria nenhum detalhe, apesar de ele pensar o contrário!
O que seria da vida se tudo fosse como a gente presume? Como a gente quer que seja, bem certinho, sem nenhuma arritmia, nenhuma surpresa?
O desenrolar da nossa história é belo o bastante para se transformar em um conto e deveras curioso para permitir que se acredite em acaso, destino e outras características das comédias românticas mais envolventes. Vejamos, com relativo ornamento (para ficar mais atraente), como aconteceu nosso caso.
Nos conhecemos na adolescência, cada qual com seu par; nossos primeiros amores eram irmãos! Ficamos amigos no mesmo instante. Eu pensava nele como um cara muito maduro para “namorado” e muito atraente para “melhor amigo”, optamos por um meio-termo; já ele, acho que me achava simpática (eu sempre me destaquei mais como “miss simpatia” do que por conta de qualquer outro predicado) e também bancava o “irmão mais velho”, às vezes. Se alguma vez me olhou com “outros olhinhos” que não estes? Penso que não, nunca fui a fundo nesta investigação, sugiro aos curiosos que perguntem pra ele!
Eram ele e a namorada que facilitavam os meus namoros no sábado a noite e, por volta da meia-noite, antes que tudo virasse abóbora, iam buscar o príncipe encantado na minha casa! Até que ele e a sua princesa terminaram o romance e eu banquei o cupido e apresentei uma amiga pra ele. Namoraram por algum tempo, saíamos todos juntos e eu, na minha inexperiência juvenil, estava resolvida: não namoraria alguém que prefere jogar bola a ficar namorando! Estava bem satisfeita com o meu príncipe que, antes das doze badaladas ia para as “baladas” e abandonava a Cinderella! Ah! Nada como o tempo e a experiência, que nos deixam menos egoístas e mais exigentes...
...E a vida foi andando para frente. Veio a faculdade, o trabalho, os filhos, os amores, as dores, as separações, não necessariamente nesta ordem e deixando suas marcas, de diversas maneiras. Nos encontramos novamente, por acaso, em um momento ideal, onde todos os astros estavam devidamente alinhados para que tivéssemos a nossa história, juntos. O reencontro foi inesperado, uma das partes da história que eu mais gosto, também gosto da parte em que rompemos, depois voltamos... gosto de lembrar dos primeiros tempos, porque era mais romântico, da época em que ele me convenceu de que, realmente, se importava comigo e com minha filha, tentando conquistá-la (também fico feliz ao ver que ele conseguiu!), gosto da parte que ele falou que queria se casar comigo, gosto de reconhecer, as vezes, no seu olhar, que eu sou especial, apesar de não dizer isso com palavras, gosto da nossa intimidade, de saber exatamente como irritá-lo ou como devo agir pra que ele pense que a idéia foi dele (e assim conseguir o que eu quero), gosto de perceber como eu me interesso pelas coisas dele e que nunca tiveram nada a ver comigo, só porque amo de verdade... não sei dizer, nestes quase 4 anos, qual foi o nosso melhor momento, mas também gosto de acreditar que ele ainda está por vir.
Às vezes, nas discussões, imaginamos: e se terminar? Ele diz que será mais uma história que chegou ao fim, mas eu acho que será mais do que isso, ao menos pra mim. Acho que terá sido a melhor história, porque fez rir mais do que chorar, e eu prefiro histórias assim. Posso dizer que, dos contos da minha vida, foi um dos mais felizes, até agora!
A graça de uma história não está em ser contada durante o seu encantamento maior e nem depois que ele termina, mas está em contá-la enquanto ela se desenvolve, entre os bons e os maus momentos do cotidiano. O seu sucesso vai depender do enfrentamento das coisas inusitadas e das lembranças de tudo o que valeu a pena, até que se construa um final feliz. Por isso resolvi contá-la, de quando ela começou e as luas que já se passaram até agora...
Foto: eu e ele.

3 comentários:

Eder Popiolski disse...

Vc sempre pede para que eu comente algo aqui, mas é muito difícil. Te admiro em tudo, inclusive na forma de escrever, me constrangendo pelo fato que não conseguir expor perto do teu nível. Lendo, eu realmente fico sem palavras, mas vc, como ninguém, soube sabiamente resumir a nossa história. Não sei até aonde vamos e nem me interessa (sei q não gostas disso), mas a verdade é que TE AMO no presente, e desejo que isso continue por luas inderterminadas.

déia disse...

Q Deus abençoe este amor para sempre...

Juca disse...

O legal de tudo isso é que de certa forma eu testemunhei o começo desta aventura amorosa!!! As aventura também podem ser eternas, não é mesmo?!?