domingo, 31 de janeiro de 2010

Algumas razões para existir


Nesta primeira postagem de 2010, gostaria de lembrar algumas coisas que, para mim, são razões suficientes para continuar existindo.
Me ocorreu esta idéia após algumas tragédias que vivenciamos, ultimamente, no planeta e também porque algumas pessoas andam exalando desmotivação, então, pensei que este texto pode ajudar a "ligar o desconfiômetro"e fazer as pessoas lembrarem de algumas coisas simples, mas que fazem a diferença.


Além disso, sou uma eterna apaixonada das artes e, embora não uma exímia conhecedora, tenho suficiente sensibilidade para me encantar com aquelas que, por unanimidade, são percebidas como as mais belas.

Por isso alguns itens da minha lista são pura arte e outros são tão óbvios. Porém, achei importante mencionar as coisas que já vi ou vivi e que me ocorrem, assim, de imediato... não custa lembrar!

Então, lá vai... e, no final, deixo em aberto para meus amigos acrescentarem suas considerações para enriquecer a lista (em comentários).

1 – Crianças
2 – Cachorros
3 – Avós
4 – Nona Sinfonia de Beethoven
5 – O Trenzinho Caipira, de Heitor Villa Lobos
6 – What a Wonderful World, de Louis Armstrong

7 – Madame Bovary, de Gustave Flauber
8 – Dom Casmurro, de Machado de Assis

9 – Algarve, Portugal
10 – Serra Gaúcha,RS
11 – A casa da gente, com a família da gente
12 – A sensação da barriga crescendo, com um bebe
13 – Banho de chuva, no verão
14 – Dormir na rede
15 – Abraço de mãe numa hora triste
16 – Ser campeão (ou se sentir parte do time campeão, hehehe)
17 – Tirar nota 10 na escola
18 – Comer bolinhos de chuva (com chuva)
19 – Os primeiros passinhos
20 – Por do sol
21 – Capela Sistina
22 – Coliseu
23 – As telas do Monet
24 – Vinho tinto
25 – Se apaixonar
26 – ...

27 – ...

Fazendo a lista, percebi que têm muitos lugares que não vi, sensações que não senti, livros que não li... coisas que não conheci e que dizem que valem muito a pena. Tentei colocar algumas das minhas preferidas e, mais do que nunca, me deu vontade de viver muito, pra ter tempo de conhecer Barcelona, voltar ao Canadá (desta vez, com o Eder e no outono), conhecer meus netos, andar de Asa Delta, fazer um curso de fotografia, aprender a falar italiano, voltar a rir com meu pai, tomar só mais um sorvete em Florença...


A vida não é uma obra de arte assim como a música de Beethoven, que podemos ouvir sempre que desejarmos. Os momentos não duram para sempre, então, eles precisam ser vividos, aproveitados e imortalizados na nossa lembrança...

Um dia quero fazer uma lista com todos os meus momentos preferidos, para não esquecer de lembrar!Um 2010 cheio de “boas razões” para todos nós!

Foto: A Criação de Adão (Michelângelo)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Educação:eis o que realmente importa!!

Tenho pensado sobre o quanto é complicado educar as crianças, especialmente, para este mundo que se apresenta para nossos filhos. Admiro demais os pais e professores que exercem, de fato, o papel de educadores e acho que, realmente, é preciso ter “o dom” para educar. Refiro-me, é claro, à educação como transformação e aprendizagem significativa, centrada no exercício da realidade, na valorização do cotidiano como fonte de conhecimento e no reconhecimento de que as práticas do dia-a-dia são definidas por múltiplos fatores. Hmmm, aí ficou mais difícil, não é? Também sou mãe e professora e, sinceramente, acho que não me saio muito bem em nenhumas destas missões!

Uma das coisas mais complicadas, na minha história, tem sido a temática que envolve a proposta da educação inclusiva, segundo a qual as pessoas com necessidades especiais devem participar em condições de iguais do processo educativo das escolas regulares, juntamente com as demais pessoas. Estou certa que as escolas não estão preparadas para tal inclusão, sejam elas públicas ou privadas. Aliás, não somente as escolas, mas a raça humana não está preparada para a inclusão. Rejeita-se tudo aquilo que é diferente, que não se encaixa, atrapalha, dificulta o processo, demanda envolvimento, empatia, solidariedade; palavrinhas difíceis de encaixar como adjetivos às pessoas, atualmente. Não vou me ater, somente, à minha experiência pessoal, pois não sou alienada e tenho lido a respeito. Mas, de fato, tenho uma filha que tem algumas necessidades especiais, que não a deixam dependente, porém, demandam alguma atenção a mais por parte dos educadores; todos eles: pais, professores, amigos, sociedade. Qual é esta “atenção a mais”? Simplesmente, aceitar o diferente, agir com naturalidade diante do inesperado... Muito mais difícil do que parece, podem acreditar!

Em todos os casos que envolvem a necessidade de compreender, sensibilizar-se, envolver-se, fica mais fácil “encaminhar”. No meu cotidiano, na área da saúde, também convivo muito com isso. Onde está o grande desafio do SUS? Na falta de resolubilidade nos níveis de atenção básica à saúde. À menor dificuldade, encaminha-se para o especialista! Na “Saúde Mental”, uma e duas, encaminham-se os “malucos” que comparecem à Unidade Básica de Saúde pro CAPS (Centro de Acompanhamento Psico- Social). Mas, por que, se o cara não ta surtando? Ah, não dá pra entender o que ele fala, é muito complicado tentar ler outro tipo de linguagem que não seja a verbal. Será que é preciso tanta capacitação para lidar com isso? Ou será que é apenas uma questão de humanização? Penso que seja parecido, na escola: se não dá pra resolver, encaminha pro psiquiatra, pro neurologista, pra farmácia, pra direção!

Sim, eu estou convicta, à essa altura, que educação é sinônimo de saúde e vice-versa. No momento atual, as palavras inclusão, cidadania e outras têm se destacado e sabemos que, por trás da proposta da educação inclusiva, está o preconceito, que fez com que a homologação da LDB 9394/96 demorasse tanto tempo para ocorrer. Eu sei, para buscarmos a sociedade inclusiva, cidadã, os sistemas de ensino precisam equipar as instituições escolares e oferecer condições para que os professores e outros profissionais de educação se preparem adequadamente para esta tarefa. Entretanto, há algumas questões que também precisam ser resgatadas, a fim de que esta política se efetive, e que demandam menos tecnologia e mais sensibilidade, criatividade e intuição!

Ultrapassado ou não, cabe um pouco de Geraldo Vandré:


...Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição...
...Vem, vamos embora que esperar não é fazer
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer!

Foto: Ana e Fred

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A verdade nua e crua




Não foi, necessariamente, um campeão das críticas positivas, mas o filme que fui ver no cinema semana passada - A verdade nua e crua - rendeu umas boas risadas! O ator Gerard Butler faz um mulherengo sexy que dispara suas pérolas de sabedoria machista em um programa de TV. Sua nova produtora, uma workaholic sem sorte no amor, tenta provar que as teorias do machão estão erradas. Em algumas cenas, muito parecidas com as de Harry e Sally - Feitos Um Para o Outro, 1989 (inclusive a do orgasmo, só que a Meg Ryan era mais convincente!), você fica se perguntando: será que é isso mesmo? No final, conclui-se que, no fundo, os homens também são uns românticos! Será?

Não há nada que deixe uma mulher mais frustrada do que lidar com a aparente falta de romantismo dos homens. Eu sei que têm milhares de textos sobre isso, então, não vou ficar comentando as típicas cenas do nosso cotidiano, onde eles, equivocadamente, abrem suas bocas: "você vai assim?", "tem certeza que foi no salão?", "dá licença que estou vendo o jogo", entre outras pérolas... Aliás, cenas que dispensam comentários! Vou falar de outra coisa que tem me preocupado nesta história: as mulheres estão conformadas!! E, pior: algumas gostam desse tipo de homem! E, pior ainda: ficam colocando peitões e bundões para alimentar o machismo dos homens!

OK, gosto não se discute... e como disse minha amiga, esta semana: eu queria saber quem foi a obstinada que queimou os sutiãs!? Sim, porque, até então, pelo que sabemos das nossas avós, as mulheres eram o "sexo frágil", delicadas, sensíveis, e os homens provedores, protetores, cavalheiros... Enfim, posições que hoje parecem sem propósito e até inversas, em alguns casos, mas que, no intimo, são detalhes imprescindíveis para aquela magia dos relacionamentos, que já não existe mais.

Eu sei, tinha o lado ruim, mas cá entre nós, quem não sonha com o Rhett Butler (o Clark Gable de ...E o vento levou, nada a ver com o do outro filme!) no final da escada, com aquele sorriso encantador enquanto a Scarlett (no caso, você) vem descendo naquele vestido lindo e o jeito extravagante, cínico e indomável?! Alguém que abra a porta pra você passar, que carregue no colo quando você torce o pé ( os invés de se oferecer pra chamar o SAMU), que ofereça lencinhos pra limpar as lágrimas... hoje em dia não dá mais nem pra chorar em paz na TPM, que eles já descobriram que e só oferecer chocolate que as coisas ficam menos complicadas!

A verdade nua e crua é que, mesmo Scarlett, só ganhou de vez o coração de Reth quando mostrou que atrás da mocinha frágil, criada para se casar e nunca se preocupar com nada além de seus bordados e filhos, havia uma mulher forte, inteligente, que salvou sua família da morte e da desonra e reergueu sua terra natal, Tara. Pena que, depois de ser tão maltratado, Rhett vai embora e aí vem a cena inesquecível, onde ela corre atrás dele e pergunta o que vai ser dela, se ele a deixar e ele, irresistível: "Francamente, minha querida, eu não ligo a mínima!"

Pois bem, minhas companheiras, não sejamos nem tanto Abby Richter (a produtora workaholic) nem tanto Scarlett Ohara nos tempos de Tara, vamos buscar um meio termo e esperar que os homens também reflitam e resgatem um pouco do romantismo dos velhos tempos. Eu, uma eterna fã de Gone with the wind, não poderia terminar de outra forma que não fosse com a frase da Scarlett sobre a esperança de que tempos melhores venham:"After all, tomorrow is another day!"

Para minhas amigas: Mariane, Lucimare e Juca...

sábado, 7 de novembro de 2009

Das luas que já se passaram...


Contar uma história de amor pode ser muito prosaico, dependendo da abordagem; por isso vou contar de modo diferente...
Não há como fugir do trivial, já que também é verdade, então, direi o que não é um segredo: é muito mais difícil conviver com quem é diferente da gente, mas é isso que deixa tudo mais desafiador e interessante, é o que acrescenta coisas valorosas em nossas vidas.
Dele, de todos os seus adjetivos, meus preferidos são a perspicácia e a tranqüilidade, coisas que fazem muita falta no meu ser.
Todavia, resolvi contar o que até então, era totalmente confidencial: tem algumas coisas que me deixam “fula da vida”, entretanto – agora vem a surpresa – eu não mudaria nenhum detalhe, apesar de ele pensar o contrário!
O que seria da vida se tudo fosse como a gente presume? Como a gente quer que seja, bem certinho, sem nenhuma arritmia, nenhuma surpresa?
O desenrolar da nossa história é belo o bastante para se transformar em um conto e deveras curioso para permitir que se acredite em acaso, destino e outras características das comédias românticas mais envolventes. Vejamos, com relativo ornamento (para ficar mais atraente), como aconteceu nosso caso.
Nos conhecemos na adolescência, cada qual com seu par; nossos primeiros amores eram irmãos! Ficamos amigos no mesmo instante. Eu pensava nele como um cara muito maduro para “namorado” e muito atraente para “melhor amigo”, optamos por um meio-termo; já ele, acho que me achava simpática (eu sempre me destaquei mais como “miss simpatia” do que por conta de qualquer outro predicado) e também bancava o “irmão mais velho”, às vezes. Se alguma vez me olhou com “outros olhinhos” que não estes? Penso que não, nunca fui a fundo nesta investigação, sugiro aos curiosos que perguntem pra ele!
Eram ele e a namorada que facilitavam os meus namoros no sábado a noite e, por volta da meia-noite, antes que tudo virasse abóbora, iam buscar o príncipe encantado na minha casa! Até que ele e a sua princesa terminaram o romance e eu banquei o cupido e apresentei uma amiga pra ele. Namoraram por algum tempo, saíamos todos juntos e eu, na minha inexperiência juvenil, estava resolvida: não namoraria alguém que prefere jogar bola a ficar namorando! Estava bem satisfeita com o meu príncipe que, antes das doze badaladas ia para as “baladas” e abandonava a Cinderella! Ah! Nada como o tempo e a experiência, que nos deixam menos egoístas e mais exigentes...
...E a vida foi andando para frente. Veio a faculdade, o trabalho, os filhos, os amores, as dores, as separações, não necessariamente nesta ordem e deixando suas marcas, de diversas maneiras. Nos encontramos novamente, por acaso, em um momento ideal, onde todos os astros estavam devidamente alinhados para que tivéssemos a nossa história, juntos. O reencontro foi inesperado, uma das partes da história que eu mais gosto, também gosto da parte em que rompemos, depois voltamos... gosto de lembrar dos primeiros tempos, porque era mais romântico, da época em que ele me convenceu de que, realmente, se importava comigo e com minha filha, tentando conquistá-la (também fico feliz ao ver que ele conseguiu!), gosto da parte que ele falou que queria se casar comigo, gosto de reconhecer, as vezes, no seu olhar, que eu sou especial, apesar de não dizer isso com palavras, gosto da nossa intimidade, de saber exatamente como irritá-lo ou como devo agir pra que ele pense que a idéia foi dele (e assim conseguir o que eu quero), gosto de perceber como eu me interesso pelas coisas dele e que nunca tiveram nada a ver comigo, só porque amo de verdade... não sei dizer, nestes quase 4 anos, qual foi o nosso melhor momento, mas também gosto de acreditar que ele ainda está por vir.
Às vezes, nas discussões, imaginamos: e se terminar? Ele diz que será mais uma história que chegou ao fim, mas eu acho que será mais do que isso, ao menos pra mim. Acho que terá sido a melhor história, porque fez rir mais do que chorar, e eu prefiro histórias assim. Posso dizer que, dos contos da minha vida, foi um dos mais felizes, até agora!
A graça de uma história não está em ser contada durante o seu encantamento maior e nem depois que ele termina, mas está em contá-la enquanto ela se desenvolve, entre os bons e os maus momentos do cotidiano. O seu sucesso vai depender do enfrentamento das coisas inusitadas e das lembranças de tudo o que valeu a pena, até que se construa um final feliz. Por isso resolvi contá-la, de quando ela começou e as luas que já se passaram até agora...
Foto: eu e ele.

sábado, 24 de outubro de 2009

Witch

Nós não temos o hábito de comemorar com fervor o dia das bruxas (Halloween), mas vale a lembrança deste paradoxo: Na pré-história, as bruxas eram mulheres sábias, que por conhecerem ervas medicinais e serem capazes de realizar partos e curar doenças, tinham grande importância para a comunidade. Mais tarde, com a substituição do pensamento mágico pelo pensamento teológico, elas passaram a ser consideradas más e foram duramente perseguidas. Supunha-se que eram enviadas do demônio e muitas foram queimadas vivas pela Santa Inquisição.

“Ora, pois”, que algumas enfermeiras não deixam de ser meio bruxas. Não é o meu caso, é claro. Tirando a infeliz coincidência de eu ter certa afinidade com a vassoura e ser má, as vezes, não, eu não faço partos e não curo doenças! Tenho me esforçado para ser uma enfermeira bastante estudiosa daquilo que gosto na minha profissão e isso é tudo. Estou, firmemente, convicta de que sempre temos algo mais para aprender e de que este aprendizado se dá em todos os espaços da vida cotidiana e com qualquer espécie da natureza, seja humana, animal, vegetal, mineral ou “sobrenatural”.

Ainda sobre a idiossincrasia da "enfermeira bruxa", proveniente do modelo mágico da época, a mulher, de maneira geral, ou era vista como o demônio que desvirtuava os homens (prostituta) ou como santa e pura (esposa dedicada ou caridosa cuidadora dos enfermos). O Creacionismo (Adão e Eva) dava todas as explicações sobre a vida e foi a partir daí que atribuiu-se ao gênero feminino o poder de instigar o pecado e o desejo, por meio da bruxaria. Acontece que a organização social, onde o Rei e o Clero se valiam da religião para detenção do poder, determinava que esta atitude fosse reprimida, a fim de prevenir o caos.

Deixando de lado a bela história e a filosofia curiosa da origem da profissão que escolhi, não são somente estes os motivos que me levaram a optar pela enfermagem. Não, eu também não ouvi nenhum chamado. Na verdade, me encantei pela profissão a medida que vivenciei seu aprendizado. Em alguns momentos tive ímpetos de desistir e hoje estou certa de que há mistérios, nesta escolha, que “vão muito além da nossa vã filosofia”. Todavia, uma outra face da enfermagem, que não tem a ver com a cura de doenças e nem tampouco com a bruxaria, tem despertado meu interesse. São outras possibilidades que se apresentaram durante a minha trajetória e que se mostram mais apropriadas à minha realização pessoal, como poder contribuir, mesmo que um pouco só, com a luta contra as desigualdades e injustiças, em nosso País. Então, cá estou eu as voltas com o estudo da Promoção da Saúde e da proposta de assistência à saúde dos brasileiros que, pouco a pouco, tem se consolidado, apesar das duras críticas e da falta de apoio da mídia.

Diante de tudo isso, eu não sou o que se pode chamar de uma "enfermeira padrão", mas tenho cá meus talentos e também, como qualquer bruxa que se preze, preparo alguns feitiços. Falando sério, agora, a enfermagem se consolidou como ciência e a mulher também se emancipou e já não sofre tanto com os estereótipos advindos da sua história de inferiorização. No dia de Halloween, quero lembrar que bruxas, santas, prostitutas, enfermeiras, todas nós trazemos na essência um pouquinho de cada uma e, afinal, “de enfermeiros e loucos, todos nós temos um pouco”!

Foto: Florence Nightingale, cuidando dos enfermos na Guerra da Criméia, em 1824. Ela iluminava o ambiente escuro com uma lamparina, daí o símbolo da enfermagem ser a lâmpada (viu Eder??).

domingo, 18 de outubro de 2009

Dias de cão


Minha filha ganhou um cachorrinho no dia das crianças. Chamamos de Fred o mais novo membro da família. Já temos a Kléu há quatro anos, mas a Ana sempre pediu um cãozinho pequeno, que ela pudesse carregar no colo. Kléu é um labrador e, caso vocês tenham assistido o filme "Marley e eu", não tenham dúvidas: a Kléu é exatamente, igual... ou pior! Fred é um cãozinho shitsu, peludo, dorminhoco e “mijão”.

Apesar do trabalho, que tem sobrado pra mim, já vi que valeu a pena proporcionar à Aninha a experiência de “cuidadora” de um ser vivo. Não deixa de ser um exercício de “ser mãe”, coisa que a mulher já traz consigo, por instinto. A Ana não teve irmãos mais novos e nem a responsabilidade de cuidar de alguém e está me surpreendendo; anda pra lá e pra cá com o Fred, beijando,embalando, como se fosse um bebê! Aliás, A Kléu, que apesar da idade, ainda não teve filhotinhos, já adotou o pequeno, também. A natureza é perfeita, realmente! Até as peripécias dela diminuíram esta semana, como se, de repente, ela tivesse amadurecido, uma verdadeira mamãe!

Os últimos dias foram, literalmente, "dias de cão", no bom sentido, é claro! O auge foi num passeio que fizemos, onde a Kléu pulou no lago, atrás dos Quero-queros, tentando pega-los! Nadou quase meia hora, nós achávamos que ela corria o risco de enfartar, já que não está acostumada com tanto exercício! Dias depois, vivemos um episódio emocionante, meio triste, depois feliz e, finalmente, com um infeliz final, cujo personagem principal foi um outro cãozinho, o Digão, um vira-lata que as meninas do futsal adotaram e que teve uma história e tanto! Mas, esta eu não vou contar aqui porque não terminou muito bem e sei que as meninas estão sentidas com isso. Coisas da vida...

Sei dizer que eu, que nunca fui muito apegada aos animais, agora, por causa do meu amor, que adora cachorros, e da minha filhota, que queria um bichinho de estimação, cá estou, apaixonada por duas criaturinhas que só me dão trabalho, mas que, entre latidos, lambidas e travessuras, fazem os meus dias mais divertidos.
Deixo aqui uma frase de alguém que amou todas as criaturas da natureza e que considero um grande homem, cujo exemplo de humanidade contribuíu para santificá-lo. Para mim, entretanto, ele foi um ser humano especial...

"Todas as coisas da criação são filhos do Pai e irmãos do homem... Deus quer que ajudemos aos animais, se necessitam de ajuda. Toda criatura em desgraça tem o mesmo direito a ser protegida." São Francisco de Assis

domingo, 4 de outubro de 2009

Dreams


Toda noite eu sonho. Às vezes umas coisas confusas, mas as vezes são tão reais! Viro pro lado e pergunto pro Eder, mas ele nunca sonha ou, quem sabe, não queira me contar. Sonhos podem ser os segredos mais invioláveis... Freud chegou a dizer que são tão somente a realização de desejos, “disfarçados ou não, satisfeitos em pleno campo psíquico”, será??

Esta noite o meu sonho foi hilário: sonhei que minha mãe estava grávida, aos 50 anos e que deu à luz a um gurizinho de olhos bem azuis, como os dela. Aí ela disse que como eu só tinha a Ana, podia ficar com o bebê pra mim... Eu lembro de ter ficado impressionada de ver minha mãe com um bebê, aquela altura! Não devia, porque quem conhece a Dona Nena, acreditaria, até nessa possibilidade.

Bem, não sei se o meu sonho foi um “desejo disfarçado” de ter outro bebê, ou se foi a “convicção disfarçada” que eu tenho do quanto minha mãe é especial. De qualquer maneira, penso que seja necessário registrar esta minha impressão sobre ela...

Minha mãe é uma das pessoas mais dispostas que já conheci. Não disposta a fazer programas diferentes, aventuras radicais, essas coisas... Mas ela tem disposição para fazer coisas muito mais complicadas, como acordar de manhã e encarar a rotina. Está sempre criando coisas, produzindo... e quando não sabe bem por onde começar, coloca uma chaleira de água para esquentar. Pra que? Ah, nem ela sabe explicar, faz um chimarrão ou então, esquece a água fervendo por alguns instantes... mas a partir daí, tudo fica mais claro!

Minha filha desabafou esses dias: “Mãe, acho que gosto mais da vó Nena do que de você; não tem problema, tem?” Não, acho que não tem problema... Poder conviver com os avós é uma coisa maravilhosa, quanto mais, uma avó como ela! Quisera eu poder ter “aproveitado” tanto a minha mãe quanto a minha filha aproveita! Os tempos eram outros quando eu tinha 10 anos, ela trabalhava fora, não convivíamos tanto... Pensando bem, de certa forma, meu sonho ocorreu às avessas: eu tive uma filha aos 23 anos e minha mãe foi um pouco mãe dela também, então, fui eu quem “emprestou” meu bebê pra ela! E não poderia ter colocado em melhores mãos...

Dona Nena fez muito mais do que me “dar a vida”, me ensinou a levá-la, o que é muito mais complicado... Ainda tenho muito a aprender com ela, mas tem uma coisa que me pego fazendo às vezes, quando estou meio desorientada, e rio, pensando nela: coloco uma chaleira de água pra esquentar!


Foto: minha mãe e meu irmão, felizes... vivendo a vida...