segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A verdade nua e crua




Não foi, necessariamente, um campeão das críticas positivas, mas o filme que fui ver no cinema semana passada - A verdade nua e crua - rendeu umas boas risadas! O ator Gerard Butler faz um mulherengo sexy que dispara suas pérolas de sabedoria machista em um programa de TV. Sua nova produtora, uma workaholic sem sorte no amor, tenta provar que as teorias do machão estão erradas. Em algumas cenas, muito parecidas com as de Harry e Sally - Feitos Um Para o Outro, 1989 (inclusive a do orgasmo, só que a Meg Ryan era mais convincente!), você fica se perguntando: será que é isso mesmo? No final, conclui-se que, no fundo, os homens também são uns românticos! Será?

Não há nada que deixe uma mulher mais frustrada do que lidar com a aparente falta de romantismo dos homens. Eu sei que têm milhares de textos sobre isso, então, não vou ficar comentando as típicas cenas do nosso cotidiano, onde eles, equivocadamente, abrem suas bocas: "você vai assim?", "tem certeza que foi no salão?", "dá licença que estou vendo o jogo", entre outras pérolas... Aliás, cenas que dispensam comentários! Vou falar de outra coisa que tem me preocupado nesta história: as mulheres estão conformadas!! E, pior: algumas gostam desse tipo de homem! E, pior ainda: ficam colocando peitões e bundões para alimentar o machismo dos homens!

OK, gosto não se discute... e como disse minha amiga, esta semana: eu queria saber quem foi a obstinada que queimou os sutiãs!? Sim, porque, até então, pelo que sabemos das nossas avós, as mulheres eram o "sexo frágil", delicadas, sensíveis, e os homens provedores, protetores, cavalheiros... Enfim, posições que hoje parecem sem propósito e até inversas, em alguns casos, mas que, no intimo, são detalhes imprescindíveis para aquela magia dos relacionamentos, que já não existe mais.

Eu sei, tinha o lado ruim, mas cá entre nós, quem não sonha com o Rhett Butler (o Clark Gable de ...E o vento levou, nada a ver com o do outro filme!) no final da escada, com aquele sorriso encantador enquanto a Scarlett (no caso, você) vem descendo naquele vestido lindo e o jeito extravagante, cínico e indomável?! Alguém que abra a porta pra você passar, que carregue no colo quando você torce o pé ( os invés de se oferecer pra chamar o SAMU), que ofereça lencinhos pra limpar as lágrimas... hoje em dia não dá mais nem pra chorar em paz na TPM, que eles já descobriram que e só oferecer chocolate que as coisas ficam menos complicadas!

A verdade nua e crua é que, mesmo Scarlett, só ganhou de vez o coração de Reth quando mostrou que atrás da mocinha frágil, criada para se casar e nunca se preocupar com nada além de seus bordados e filhos, havia uma mulher forte, inteligente, que salvou sua família da morte e da desonra e reergueu sua terra natal, Tara. Pena que, depois de ser tão maltratado, Rhett vai embora e aí vem a cena inesquecível, onde ela corre atrás dele e pergunta o que vai ser dela, se ele a deixar e ele, irresistível: "Francamente, minha querida, eu não ligo a mínima!"

Pois bem, minhas companheiras, não sejamos nem tanto Abby Richter (a produtora workaholic) nem tanto Scarlett Ohara nos tempos de Tara, vamos buscar um meio termo e esperar que os homens também reflitam e resgatem um pouco do romantismo dos velhos tempos. Eu, uma eterna fã de Gone with the wind, não poderia terminar de outra forma que não fosse com a frase da Scarlett sobre a esperança de que tempos melhores venham:"After all, tomorrow is another day!"

Para minhas amigas: Mariane, Lucimare e Juca...

2 comentários:

Lucimare disse...

Adorei o texto...adorei sua reflexões.
Legal é sabermos que o nosso cotidiano não deve ser condicionado aos desejos do outro e sim pelos nossos valores...sejam eles by Abby Richter ou Scarlett Ohara.
E nos erros e frustações, lembrar: amanhã é outro dia pra recomeçar (no novo ou no velho).
Beijos

Juca disse...

Amiga, a rotina do cotidiano quase sempre não permite que a Scarlet que existem em todas nós aflore.Minha fase atual é mais de contemplação do que de ação. Amo observar o crescimento humano dos meus filhos e seus sonhos.E uma constatação cruel! Acho que temos muitas Scarlets, mas Reths infelizmente estamos em falta. Amarga, eu?!
Beijos