domingo, 28 de fevereiro de 2010

A Costureirinha Gaúcha

Durante a Revolução Cultural na China, liderada por Mao Tse Tung, no final dos anos 70, as universidades foram fechadas e a maioria dos livros proibidos. Jovens considerados intelectuais burgueses eram enviados para um campo de “reeducação”, para seguir os ensinamentos dos camponeses, considerados verdadeiros revolucionários. É nesse contexto que desenvolve-se a história: “Balzac e a costureirinha chinesa”, de Daí Sijie. Numa montanha maoísta no Tibet, dois adolescentes, Luo e Ma conhecem uma singela e ignorante costureirinha, filha do alfaiate local. O objetivo de ambos se torna, então, "civilizá-la". Luo decide ensiná-la a ler e a transformação que ocorre na menina, ao conhecer o maravilhoso mundo da literatura, é tamanha que se torna impossível para ela continuar vivendo naquele lugar.

Ainda não terminei de ler o livro, entretanto, fez refletir sobre as transformações que acontecem em nossas vidas, a partir de uma descoberta, por mais pueril que ela seja. Lembrei-me, imediatamente, da história de uma criança, uma menina que há pouco tempo veio viver perto de nós. Procede de uma cidade pequena do Rio Grande do Sul, de uma família carente e, aos 12 anos, pouca coisa conhece do mundo, dentre estas e magistralmente, desenvolveu habilidade notória de “jogar bola”, prática que em nossa região e também no Brasil de modo geral, acaba sendo o lazer mais popular das crianças da periferia e do interior.

Ocorre que a pequenina foi observada em seus inegáveis talentos e ao ser apresentada ao “novo mundo” impressionou-se com as coisas mais bucólicas, coisas estas que, daqui em diante lhe serão imprescindíveis. Ora essa, é assim que é; e nem poderia ser diferente... Há coisas que jamais teriam importância, não fosse a necessidade que inventamos delas. Da mesma forma, há coisas que são tão importantes, que só as damos valor quando as perdemos. Lembro uma frase da Frida Kahlo, quando tiveram que lhe amputar os pés: “Pies, para que los quiero, si tengo alas para volar?” E como ela tinha, e como voava! Feliz daqueles que consguem ir tão longe com os talentos que possuem, apesar de todas as limitações!

A nossa pobre “costureirinha” não descobriu nada nos livros e nas histórias, mesmo assim, agora que ela conhece tantas coisas novas, não mais poderá viver sem elas. Enfim, esta história está apenas no começo, em breve a “Costureirinha Gaúcha” (resolvi chamá-la assim) despontará para o mundo, como já aconteceu com tantas outras! Que seja repleto de alegrias o seu desabrochar, menina!

Entrou por uma porta, saiu pela outra... e quem quiser, que conte outra!!

Foto: Pies, para que los quiero, si tengo alas para volar? (Frida Kahlo)



Um comentário:

valéria disse...

Cari, estava eu e mhas companheiras de time em uma aula mto produtiva de Saúde e Sociedade II, ai resolvi dar uma olhadinha no seu blog, li todas as suas postagens mais recentes... adorei, a aula passou voando, rsrs..bjinhos vc eh DEMAIS